Nova matéria-prima cria barreira contra fogo em embarcações

Nova matéria-prima promete criar barreira contra fogo, na fabricação de barcos de fibra de vidro

Imagine um barco feito de fibra que não pegue fogo. É claro que esse barco ainda não existe, mas poderá estar em nossas águas muito em breve. É só o tempo de os estaleiros começarem a usar (durante a construção de seus cascos) dois produtos desenvolvidos por um grupo de jovens cientistas brasileiros (sim, o invento é nacional) para que, mesmo submetidos a uma temperatura de até 800 graus Celsius, por exemplo, os nossos iates, lanchas e veleiros não peguem fogo nem propaguem chamas. “Um dos materiais é um pó 100% anti-inflamável. O outro, um líquido retardante”, explica o técnico em química Tiago Casado Lima, integrante da equipe que desenvolveu os produtos e diretor da empresa recém-criada para comercializá-los, a Nelti Technology.

A diferença principal entre o pó (tecnicamente chamado de Resin Solid Extinguish) e o líquido (32D4) está na formulação e no mecanismo de atuação contra o fogo, sendo que o pó ainda tem o apelo da biodegradabilidade em sua formulação. O antichamas impede a ignição e cria uma barreira contra o fogo, não permitindo que nenhuma fonte de calor se propague. Por sua vez, o líquido retardante de chamas, como o nome já diz, posterga a propagação do fogo, aumentando o tempo necessário para uma evacuação e o combate ao incêndio. Além desses dois produtos, a equipe tem em seu portfólio outro material inovador: um antichamas específico para ser aplicado nos tecidos da embarcação, como estofados, carpetes, tapetes e cortinas. O produto carboniza, de maneira automática, a parte do tecido em que se encontra o foco inicial das chamas, evitando a propagação do fogo e a liberação de gases tóxicos. Os pesquisadores quebraram a cabeça até inventar as substâncias antichamas: a fase de desenvolvimento do projeto durou 12 anos. Mas, será que esses produtos funcionam mesmo? Sua eficácia na prevenção de incêndios está sendo testada tecnicamente por um dos maiores estaleiros do país, a Intermarine Yachts, que se prepara para colocar no mercado embarcações construídas com mais esse apelo high-tech. É só uma questão de tempo para que suas lanchas e iates tenham os cascos inteiros protegidos pelo pó antichamas e pelo líquido retardante. Inicialmente, os produtos já estão sendo usados em várias peças, na quais existem maiores probabilidades da ocorrência de incêndios, e em diversas partes da embarcação. Mais adiante, o leque será ampliado, tornando a embarcação cada vez mais segura contra esse tipo de sinistro.

A BOA NOTÍCIA É QUE A MATÉRIA-PRIMA PODE SER APLICADA EM BARCOS JÁ COM ALGUNS ANOS DE USO, ESPECIALMENTE NA REAPLICAÇÃO DO GELCOAT, EM LUGARES MAIS VULNERÁVEIS AOS INCÊNDIOS

Mas o problema não está apenas no fogo em si, mas principalmente nos gases tóxicos e inflamáveis emitidos durante o incêndio, que asfixiam as pessoas que estejam a bordo, além de causar um impacto ambiental considerável, pois a embarcação encontra-se em contato direto com a água. “Foi por isso que começamos a desenvolver os nossos produtos”, diz o pesquisador. O antichamas não se destina especificamente ao setor náutico — tem aplicação em todos os segmentos que usam compostos e compósitos (materiais formados pela união de outros materiais com o objetivo de se obter um produto de melhor qualidade, como fibra de vidro, fibra de carbono e Kevlar), como aeronáutico, aeroespacial, de energia eólica, de veículos e até o de construção civil. Mas serve como uma luva à missão dos estaleiros, que é a de construir barcos cada vez melhores e seguros. “Alguém vai dizer que já existem no mercado produtos semelhantes, como a alumina tri-hidratada, porém esse mineral tem uma resistência às chamas por um período muito curto. Há também os antichamas líquidos à base de produtos bromados, clorados ou fluorados. Mas esses produtos funcionam apenas como retardantes, e não como antichamas. Nossa criação é anti-inflamável de verdade”, garante Tiago, que junto à sua equipe elevou o produto a testes extremos, superando todas as normas exigidas.

Além da capacidade de não inflamar, o aditivo, garante o fabricante, não libera fumaça tóxica, apenas ácidos fracos, basicamente nitrogênio, que é um elemento químico respirável, devido à sua capacidade de absorver as moléculas de oxigênio. Outra vantagem: o produto promete abaixar a temperatura da superfície submetida ao fogo, o que ajudaria na contenção da chama, além de anular os gases exalados pela queima das resinas (epóxi, éster vinílica e poliéster) ou pelo aquecimento do núcleo de espuma de PVC rígida (Divinycell) — este, em contato com o fogo, não inflama, mas libera o venenoso gás cianeto, entre outras substâncias tóxicas.

Outra boa notícia é que tanto o pó quanto o líquido também podem ser aplicados em barcos prontos ou com alguns anos de mar, especialmente na reaplicação do gelcoat, em lugares mais vulneráveis aos incêndios, como a sala de máquinas, os dutos da fiação elétrica e o painel de comando, criando uma barreira antichamas e tornando a vida a bordo ainda mais segura.

Fonte: www.nautica.com.br

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